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Capitão Joka Ramba é um homem considerado e respeitado por toda a região serrana e mesmo mais além, na vasta planície. Visionário, hábil em combinar tradição com técnicas de gestão eficazes e modernas. Selecionou uma variedade de pombo-correio apto a suportar pesos maiores, que distribui por todas as aldeias do distrito. Assim cada aldeão tem a possibilidade de enviar a sua placa partida para a oficina central do Capitão Joka. Sistema rápido, de custos reduzidos. Depois de pronta, um estafeta deslocando-se num triciclo devolve a placa à procedência, leva novo pombo e faz a cobrança. Na oficina, Capitão J. mantém três mecânicos a recibos verdes, dois operacionais e um logístico. Os colaboradores estão proibidos de comentar quantos consertos fazem por dia sob pena de perderem a sua fonte de sustento. Há dois anos correu o rumor de que seriam já mais de vinte por dia (por coincidência a oficina viu caras novas). O povo paga €25 mais portes por conserto, imagine-se então o produto. Misteriosamente, o índice de próteses partidas é alto por toda a região. Talvez por o Capitão oferendar frequentemente as aldeias com amêndoas e azeitonas, promover alguns concursos de abertura de garrafas com os dentes e outros de arremesso de placas. As pessoas apreciam muito estes eventos onde o final é sempre festejado em algazarra e porrada com fartura, tudo bem regado com bebidas generosamente oferecidas pelo Capitão J. Capitão Joka tem um passatempo: frequenta cursos de formação especializada na sua área. De quando em quando troca a camisa garrida de flores por uma lisa Hugo Boss, as botas à cowboy por uns sapatos italianos, remove o cordão de ouro de meio kilo que traz ao pescoço e veste um elegante fato. É então vê-lo descer à cidade grande, onde aprende os últimos avanços tecnológicos em prótese dentária. Dizem que é um especialista, fala em conferências, dá palestras, é consultado. Diz-se que nunca fez uma dentadura na vida, mas é só um boato. Embora o negócio do Capitão vá de vento em pôpa, tem um calcanhar de Aquiles: exige um controle apertado. Tal facto tem impedido a expansão para outras regiões e mesmo países emergentes, com grande pena dele. Precisa de um sócio de confiança e todos sabemos que isso não existe.
Dente do Riso © Antonio Fidalgo (publicação humorística para protésicos dentários) Patrocínio de www.dentpal.com
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